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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Redefinida as novas diretrizes para a organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e obesidade no Brasil

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e a SBEM divulgaram nota oficia sobre a Portaria número 424 do Ministério da Saúde.

 Portaria redefine as diretrizes para a organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e obesidade como linha de cuidado prioritária da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas.

Nota Oficial

O Ministério da Saúde (MS) publicou, no dia 19 de março, a portaria Nº 424 que redefine as diretrizes para a organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e obesidade como linha de cuidado prioritária da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas.

Embora o destaque principal esteja sendo dado ao tratamento cirúrgico da obesidade, é necessário olhar com cuidado a portaria. Suas determinações englobam cuidados com a obesidade de forma completa, incluindo desde a prevenção ao tratamento, o que pode ser uma mudança de impacto extremamente positivo para o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmente para a saúde da população brasileira. A portaria vai muito além do tratamento cirúrgico, tratando-o “apenas uma ação dentro do toda da linha de cuidado das pessoas com sobrepeso e obesidade”, nas palavras da próprio MS.

A iniciativa do Ministério da Saúde em aumentar os recursos para a prevenção e  tratamento do sobrepeso e obesidade é muito bem vista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Associação Brasileira para o estudo da Obesidade e Sindrome Metabolicade (ABESO) que juntas, mostram há anos o custo e risco do aumento epidêmico da obesidade no Brasil. 

De acordo com o Artigo 4º desta portaria, a prevenção e o tratamento da obesidade ficam incluídos na rede de atenção básica à saúde. Com relação às medidas relacionadas a prevenção, elas são bem completas.


A cirurgia não pode ser vista como o final do tratamento da obesidade, mas apenas como um meio, e a população deve exigir que a portaria seja seguida integralmente, incluindo a assistência completa com apoio nutricional, atividade física e acompanhamento clínico, entre outros cuidados de uma equipe multidisciplinar. O risco, que devemos alertar e evitar, é que  pessoas com sobrepeso e obesidade grau 1 e 2 deixem de fazer o tratamento clínico com a perspectiva de resolução do problema com o tratamento cirúrgico. Os casos cirúrgicos devem ser a minoria do atendimento a esta doença crônica de grande prevalência. 



Aqui, enaltecemos a preocupação com o diagnóstico da doença, que por vezes passa despercebida pela população em geral e, até mesmo pela classe médica. Outra determinação importante é o acolhimento adequado dos pacientes nos serviços de atendimento, conforme parágrafo g deste mesmo artigo: os obesos têm o direito de ser recebidos como pacientes que precisam de assistência. A capacitação adequada de profissionais de saúde para o atendimento a esses pacientes é fundamental para banir o preconceito com a obesidade em todos os níveis de atendimento.

O tratamento do paciente obeso em unidade básica de saúde, segundo a portaria, deve seguir as diretrizes clínicas vigentes. Infelizmente, as diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da obesidade foram ignoradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por ocasião da retirada de alguns medicamentos do mercado. 

Atualmente, no Brasil dispomos apenas de dois medicamentos aprovados para a obesidade (sibutramina e orlistate) e, diante da evidente relação custo-benefício, encorajamos o MS a disponibilizá-las na rede básica de atendimento, mantendo o mesmo nível de vigilância sanitária para a sibutramina, que possuem outros medicamentos de ação central.

Além do exposto acima, a portaria também amplia os limites de idade para realização de cirurgia bariátrica, reduzindo a idade mínima para 16 anos e a máxima fica a critério da equipe multiprofissional. A cirurgia bariátrica promove manutenção da perda de peso a longo prazo, com redução de doenças associadas a obesidade e melhora da qualidade de vida. É preciso, no entanto, ter cuidado com a interpretação da ampliação da indicação para o tratamento cirúrgico. 

A redução da idade para a indicação da cirurgia e a possibilidade de cirurgia plástica reparadora após o tratamento cirúrgico têm indicações muito claras na portaria: seguimento de protocolos clínicos por, no mínimo dois anos, na Atenção Básica ou Atenção Especializada, sem resultado satisfatório e fechamento das epífises de crescimento. A cirurgia plástica reparadora também está sujeita à aderência ao seguimento pós-operatório. 

Fonte: Sbem

quinta-feira, 21 de junho de 2012

População da Terra Já Pesa 287 Milhões de Toneladas



Estudo dedicado à Rio+20 mostra que a população do planeta pesa 287 milhões de toneladas.
Por Sandra Malafaia

Duzentos e oitenta e sete milhões de toneladas. Este é o peso da população da Terra. Em estudo dedicado à Rio+20, pesquisadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine mostraram que a epidemia da obesidade, que acomete diversos países, já transcende a saúde pública, afetando o equilíbrio do planeta.

De acordo com o estudo, desses 287 milhões de toneladas, 15 milhões se devem ao excesso de peso e 3,5 milhões à obesidade. A pesquisa também apontou os Estados Unidos como o país mais pesado da Terra, estando a maior parte do excesso de peso concentrada nos países ricos. Já a Coreia do Norte é o país mais leve, devido à fome.

Na 77ª posição na lista dos maiores índices de massa corporal do mundo (BMI, o indicador padrão para avaliar peso) está o Brasil. Ainda no estudo, elaborado em 2005, os brasileiros somam 3,10% das 287 milhões de toneladas, subindo para 4% no quesito “sobrepeso”. 

Exagero

O exagero no consumo de alimentos, segundo a pesquisa, diminui a expectativa de vida dos indivíduos e associa-se a padrões insustentáveis de exploração dos recursos naturais. Tudo isso aliado a mudanças climáticas, à perda de biodiversidade e degradação ambiental.

Os pesquisadores também utilizaram dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e formularam uma tabela das nações mais gordas da Terra e seu índice de massa corporal em relação à distribuição da obesidade.

Assim, verificou-se que a Ásia, representante de 61% da população mundial, participa com apenas 13% do peso global. Um de seus países, a China, apesar de tão populosa, possui peso relativo por indivíduo muito menor nessa tabela. Outro país do mesmo continente, o Japão, foi destacado como o mais em forma do mundo, sendo que se todos tivessem o BMI dos japoneses, o peso total da humanidade reduziria em 5%.
O estudo foi publicado na revista científica “BMC Public Health”.

Veja, a seguir, a lista dos dez países mais pesados do mundo e a quantidade de adultos que eles concentram por tonelada. Em seguida, a escala dos dez mais leves:

Mais pesados:

·        Estados Unidos - 12,2
·        Kuwait - 12,9
·        Croácia - 13.1
·        Qatar – 13
·        Egito - 13.5
·        Emirados Árabes Unidos - 13,2
·        Trinidad e Tobago - 13.8
·        Argentina - 13.8
·        Grécia - 13.3
·        Bahrein - 13.6

Mais leves:

·        Coreia do Norte – 19
·        Camboja - 17.9
·        Burundi - 18.5
·        Nepal - 19.8
·        República Democrática do Congo - 18.7
·        Bangladesh - 20.2
·        Sri Lanka - 19.8
·        Etiópia - 18.9
·        Vietnã - 19.7
·        Eritreia - 19.2

Fonte: Abeso

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Números da Obesidade no Brasil


Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso. Segundo o estudo, 42,7% da população estavam acima do peso no ano de 2006. Em 2011, esse número passou para 48,5%. O levantamento é da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), e os dados foram coletados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

De acordo com a Dra. Rosana Radominski, presidente do Departamento de Obesidade da SBEM, os novos resultados não são novidade, se comparados com os de 2010. “O dado agravante é o aumento de mais de 0,5% do excesso de peso e da obesidade em um ano. Isso é alarmante, se formos extrapolar os dados para os próximos dez anos”, alerta a especialista.

O estudo também revelou que o sobrepeso é maior entre os homens. 52,6% deles estão acima do peso ideal. Entre as mulheres, esse valor é de 44,7%. A pesquisa também diz que o excesso de peso nos homens começa na juventude: na idade de 18 a 24 anos, 29,4% já estão acima do peso; entre 25 e 34 anos são 55%; e  entre 34 e 65 anos esse número sobe para 63%.

Já entre as mulheres, 25,4% apresentam sobrepeso entre 18 e 24 anos; 39,9% entre 25 e 34 anos; e, entre 45 e 54 anos, o valor mais que dobra, se comparando com a juventude, passando para 55,9%. De acordo com Dra. Rosana, as mulheres por natureza têm maior adiposidade e menor massa muscular do que os homens e estas alterações são hormônio - dependente (estrogênios x testosterona). Já os homens têm maior tendência à adiposidade visceral (gordura abdominal), mesmo quando em sobrepeso. “Isto é tão ou mais preocupante que o aumento de peso nas mulheres, já que é fato a relação da obesidade visceral e doenças cardiovasculares, diabetes, dislipidemias e alta mortalidade”, alerta a médica. A especialista ainda cita dos prejuízos que esse aumento pode representar para saúde de um modo geral e para a qualidade de vida da população. “No Brasil não existem dados concretos publicados sobre os custos diretos e indiretos relacionados à obesidade e suas complicações, mas tomando como exemplo o que acontece em países como os Estados Unidos, estes custos que já são altíssimos, e tendem a ficar ainda maiores”, explica.
Dra. Rosana comenta também que o governo brasileiro está começando a se preocupar com essa questão, tanto que em março foi divulgado um programa de combate e prevenção às doenças crônicas e um projeto para prevenção de obesidade. “Esperamos que estes programas tenham continuidade e sejam duradouros, porque os resultados levam anos para aparecer. Nos Estados Unidos, campanhas contra obesidade infantil que foram iniciadas há cinco anos, só começam a dar tímidos resultados agora”, explica endocrinologista.

A Alimentação do Brasileiro
A pesquisa do Ministério da Saúde revela também que 34,6% dos brasileiros comem em excesso carnes com gordura e mais da metade da população (56,9%) bebe leite integral regularmente, tornando esse fator um dos principais responsáveis do excesso de peso e da obesidade no Brasil. Além disso, 29,8% dos brasileiros consumem refrigerantes pelo menos cinco vezes por semana. Por outro lado, apenas 20,2% ingerem a quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde de cinco ou mais porções por dia de frutas e hortaliças.
“Os hábitos alimentares do brasileiro não mudam, comemos poucas frutas e verduras desde sempre. Nós não estamos comendo menos frutas e vegetais hoje do que há anos atrás. Da mesma forma que a carne gordurosa é a preferência nacional há muito tempo. O que tem mudado ao longo dos anos é o aumento do consumo de alimentos refinados, industrializados e produtos "prontos" para uso com alto teor calórico”, diz a Dra. Rosana.
O levantamento mostra, também, que apesar de "comerem mal", os homens se exercitam mais do que as mulheres: 39,6% dos homens fazem exercícios com regularidade e entre as mulheres, a frequência é de 22,4%. O percentual de homens sedentários no Brasil passou de 16% em 2009 para 14,1% em 2011.

De acordo com o Ministério da Saúde, o sedentarismo aumenta com a idade. Entre homens entre 18 e 24 anos, 60,1% praticam exercícios. Esse percentual reduz para menos da metade aos 65 anos (27,5%). Entre mulheres de 25 a 45 anos, 24,6% se exercitam regularmente. A proporção é de apenas 18,9% entre mulheres com mais de 65 anos.
“Apesar dos números, o sedentarismo no Brasil não diminuiu muito, se analisarmos os dados anteriores fica difícil essa conclusão. O fato dos homens usarem seu tempo de lazer fazendo atividade física também é cultural, isso não quer dizer que façam exercícios regularmente. A atividade física é igual entre os sexos, mas o tempo na frente da TV é maior entre os homens. As mulheres com maior escolaridade são as mais conscientes dos problemas relacionados ao peso e procuram fazer atividades programadas”, conclui a especialista.

Os Números nas Capitais
Segundo o Ministério da Saúde, Porto Alegre é a capital que possui a maior quantidade de pessoas com excesso de peso (55,4%), seguida por Fortaleza (53,7) e Maceió (53,1). Já na lista das capitais que possuem o menor índice de pessoas com sobrepeso estão São Luís (39,8%), Palmas (40,3%), Teresina (44,5%) e Aracaju (44,5%). São Paulo apresenta 47,9% de pessoas com excesso de peso. A proporção no Rio de Janeiro é de 49,6%, e no Distrito Federal é de 49,1%.

Já a capital com mais obesos é Macapá (21,4%), seguida por Porto Alegre (19,6%), Natal (18,5%) e Fortaleza (18,4%). As capitais com menor quantidade de obesos são: Palmas (12,5%), Teresina (12,8) e São Luís (12,9%).
Em São Paulo, a proporção de obesos é de 15,5%, no Rio de Janeiro é percentual é de 16,5% e no Distrito Federal os obesos representam 15% da população.
Fonte: Sbem

quinta-feira, 15 de março de 2012

Filhos de Mães Obesas Podem Reverter Metabolismo Herdado

Com dieta e exercícios, filhos de obesas podem reverter metabolismo herdado das mães. 


Exercícios físicos e alimentação saudável, juntos, podem reverter um quadro metabólico negativo herdado por filhos de mães obesas. A conclusão é de uma pesquisa, realizada na Universidade de New South Wales, na Austrália, publicada recentemente no Journal Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Disease.

Sabe-se que a gravidez de uma mulher obesa altera hormônios e tem consequências na regulação do apetite e do metabolismo. A obesidade da mãe também está associada à intolerância à glicose, hipertensão arterial, doenças metabólicas e ao aumento de depósitos de gordura nos filhos.

A pesquisa da Universidade de New South Wales foi feita pela doutoranda Sultana Rajia, sob a orientação das professoras Margaret Morris e Hui Chen. Ambas tiveram como motivação a constatação de que 1/3 das mulheres grávidas estão obesas ou com sobrepeso, em várias partes do mundo, acarretando consequências negativas aos filhos.

O estudo foi realizado com ratos, uma vez que a maioria dos sistemas afetados pela obesidade é semelhante entre humanos e roedores. Além disso, segundo Margaret Morris, a utilização do modelo animal na pesquisa torna possível coletar dados através das gerações em tempo hábil.

Assim, conforme explicou, pela dificuldade em controlar o nível e a duração dos exercícios nos seres humanos, estudos com animais de laboratório ajudam a apontar quais os tipos de intervenções mais ou menos eficientes.

Mais Pesados

No estudo, três semanas após o nascimento, os filhotes das ratas obesas se mostraram 12% mais pesados que os das não obesas. Além disso, apresentavam grande acúmulo de gordura, aumento do índice de lipídios plasmáticos e intolerância à glicose.

Ao serem submetidos a uma dieta calórica, esses jovens roedores obtiveram 37% de aumento de peso. Mas depois de passarem por exercícios e alimentação correta, os mesmos ratos apresentaram diminuição nos índices de massa gorda, nos lipídios plasmáticos, na pressão sanguínea e na resistência à insulina.
Já os roedores sedentários que tiveram uma alimentação saudável não foram capazes de reverter os riscos metabólicos. 

Mudança de Hábitos

Na opinião do Dr. Lício Velloso, pesquisador do Departamento de Clínica Médica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pesquisa australiana é de grande importância, pois evidencia que, por mecanismos epigenéticos, mulheres obesas geram filhos que podem tornar-se mais facilmente obesos com o passar dos anos, sendo que o quadro pode ser revertido com atividade física e alimentação saudável.

No entanto, de acordo com ele, o problema é que apenas uma minoria das pessoas consegue mudar seus hábitos de vida. O pesquisador brasileiro enfatizou que “a vontade dos indivíduos em alterarem um quadro metabólico via dieta e exercícios é uma dos maiores impasses para que políticas públicas contra obesidade tenham sucesso”.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,9% das mulheres com mais de 20 anos estão obesas e 48% com sobrepeso.

Fonte: Abeso