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terça-feira, 26 de junho de 2012

Pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica correm risco de abuso de álcool, revela estudo.



Dois anos após serem submetidos à cirurgia da redução do estômago, pacientes obesos correm mais risco de abuso e dependência de álcool. A conclusão veio de um estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada esta semana na revista Journal of the American Medical Association (Jama), chegou a ser antecipada na internet durante o encontro anual da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

De acordo com os pesquisadores, a probabilidade é maior entre as pessoas que optaram pelos métodos gastrectomia vertical (conhecida como sleeve) e gastroplastia com desvio intestinal em Y de Roux, também denominada de bypass gástrico, o tipo mais popular dessa cirurgia no mundo e responsável por 70% do total analisado na pesquisa.

A análise foi realizada em 2.458 adultos que fizeram cirurgia bariátrica entre 2006 e 2011, em dez hospitais americanos. Cerca de 80% eram mulheres, 87% de cor branca, com idade média de 47 anos e Índice de Massa Corporal (IMC) de 45,8.

O teste usado foi o de Identificação de Transtornos por Uso de Álcool, que verifica sintomas de dependência e prejuízos, com uma pontuação igual ou superior a oito.
Dessa forma, o grupo de maior risco foi encontrado em pacientes jovens do sexo masculino, fumantes, consumidores regulares de álcool e usuários recreativos de drogas.

A prevalência de sinais não teve muita diferença entre um ano antes e um depois da cirurgia (7,6% e 7,3%, respectivamente), mas foi maior (9,6%) no segundo ano de pós-operatório.

Se dois pontos percentuais de aumento podem parecer pouco, vale ressaltar que esse número é capaz de representar mais de 2 mil americanos com potenciais problemas de álcool e necessidade de acompanhamento pessoal, financeiro e social.

Os efeitos a longo prazo da cirurgia bariátrica com relação ao abuso de álcool ainda devem ser realizados em novos trabalhos.

Fonte: Abeso

domingo, 24 de julho de 2011

Conselho Federal de Medicina divulga nota com esclarecimentos sobre a cirurgia bariátrica e rejeita cirurgia polêmica de redução do estômago que promete cura do diabetes

Instância máxima do CFM decide contra a inclusão da técnica na lista de procedimentos regulamentados pelo órgão; cirurgia, que promete curar diabete, foi aplicada no apresentador Fausto Silva com sucesso, mas há pacientes com sequelas graves


O CFM divulgou nesta sexta-feira, 22 de julho, uma nota de esclarecimento sobre a cirurgia bariátrica (redução do estômago). Confira abaixo, parte da reportagem do Estadão sobre o assunto:

Em decisão consensual, o pleno do Conselho Federal de Medicina (CFM) - instância máxima da entidade - rejeitou incluir na lista dos procedimentos regulamentados pelo órgão a cirurgia de redução de estômago criada pelo médico Áureo Ludovico de Paula. Considerada experimental, a técnica promete curar a diabete.

A cirurgia - chamada gastrectomia vertical com interposição de íleo - ficou conhecida em 2009 depois que o apresentador Fausto Silva declarou em seu programa que havia se submetido a uma operação de redução de estômago para perder peso e curar a diabete. À época, foi divulgado que a técnica não era regulamentada e, por isso, não poderia ter sido realizada.

A decisão põe um ponto final na discussão em torno do assunto, pelo menos até que sejam apresentados estudos que comprovem sua eficácia e segurança. Por enquanto, a técnica está proibida (mais informações nesta página). "Consideramos que a gastrectomia vertical com interposição de íleo precisa de mais estudos para ser autorizada", disse Roberto d"Ávila, presidente do CFM. Segundo o Ministério Público Federal, ao menos dez pacientes submetidos à técnica tiveram sequelas graves.

Debate antigo. O pedido de regulamentação dessa técnica vinha sendo debatido dentro do CFM desde o fim de 2009, quando o órgão criou uma câmara técnica de cirurgia bariátrica, que deveria fazer estudos sobre essa e outras novas técnicas de cirurgia e apresentar um parecer.
Esse parecer serviria de base para assessorar os 28 membros do pleno, formado por 27 conselheiros do CFM e um representante da Associação Médica Brasileira (AMB), quando o assunto fosse colocado em votação.

A câmara técnica é formada por sete membros: seis cirurgiões e um endocrinologista. Mas nem mesmo entre eles houve um consenso sobre a eficácia e a segurança da cirurgia. O relatório final, concluído em maio de 2010 e apresentado para votação na última reunião do pleno, propunha que o CFM considerasse como procedimentos aceitos a gastrectomia vertical com interposição de íleo ( aplicada em Fausto Silva) e a gastrectomia vertical associada à bipartição do trânsito ileal, menos conhecida.

Contrários. O endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do Laboratório de Investigação de Metabolismo e Diabetes da Unicamp, é um dos membros da câmara técnica contrários à regulamentação da cirurgia. Para ele, o assunto nem deveria ter ido para votação no plenário.

"O meu posicionamento sempre foi contra a regulamentação. Não existe nenhuma fundamentação mínima para autorizar uma cirurgia totalmente experimental", afirmou Geloneze. Ele explica que qualquer técnica nova precisa ter uma pesquisa aprovada por um comitê de ética. Deve começar com animais e, depois, ser testada em um grupo pequeno de humanos. Em seguida, ela precisa ser comparada com outra técnica consagrada e, por fim, ser validada por outros centros de pesquisa.
"E isso só é possível seguindo as regras básicas de pesquisa. Em nenhum lugar do mundo se aprova uma técnica feita em um único lugar e sem cumprir esses requisitos. Só o fato de isso ter ido para votação do pleno do CFM já é uma aberração", diz.

O cirurgião Edmundo Machado Ferraz, relator da câmara técnica, tem outra opinião. Para ele, a cirurgia deveria ter sido reconhecida, pois desde 2010 há estudos em andamento no País - um deles será coordenado por ele na Universidade Federal de Pernambuco. "Acho que não precisava esperar mais estudos, mas a decisão do plenário é legítima."

Para ele, o fato de o cirurgião De Paula ter realizado a técnica em cerca de 700 pacientes sem submeter a pesquisa ao Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) é "controverso". "Hoje em dia, precisa de autorização do Conep, mas antes não existia essa normatização." Porém, a publicação que normatiza as regras básicas para pesquisas com seres humanos existe desde 1996.

Acerto. Para Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a decisão do CFM foi acertada. "Os conselheiros mantiveram o bom senso. Temos de ir atrás de procedimentos novos. Mas temos de seguir os passos que regulamentam uma pesquisa com seres humanos."
Segundo d"Ávila, do CFM, o próximo passo é aguardar novos estudos científicos, que serão analisados pela câmara técnica. "Se houver consistência da eficácia da técnica, voltamos ao debate. Tudo tem que ser feito com absoluta certeza e segurança."




Para conferir o documento do CFM, clique aqui

Fonte:Estadão, CFM