Bem vindos ao blog Endocrinologia em Pauta! Nele você encontrará um conteúdo fidedigno, atualizado, notícias e curiosidades para as pessoas que se interessam pos assuntos relacionados à Endocrinologia, Nutrição e Saúde em geral.


Mostrando postagens com marcador EMA.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EMA.. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de outubro de 2011

Recomendações provisórias da SBD sobre o uso da Pioglitazona


Após as recentes publicações mostrando uma leve associação entre o uso prolongado da Pioglitazona e o câncer de bexiga, a agência regulatória da França determinou a suspensão da sua comercialização naquele país e a da Alemanha recomendou que esta droga não seja mais iniciada em novos tratamentos. 

No entanto, as agências centrais dos EUA (FDA) e da Europa (EMA) posicionaram-se de forma mais branda, mantendo a Pioglitazona no mercado, mas exigindo novas inserções nas bulas, contendo alertas sobre o problema e propondo mudanças na sua prescrição. A conclusão das agências regulatórias centrais foi de que o risco realmente existe, mas é baixo, e incapaz de eliminar a relação custo-benefício da droga nos pacientes com DM2 que dela se beneficiam.

O potencial carcinogênico das glitazonas foi aventado já na fase de desenvolvimento destas drogas, com evidências de mitogenicidade no fígado, epitélio urogenital e mucosa colônica de ratos. Esses fenômenos foram atribuídos à presença do receptor nuclear PPAR-y nestes tecidos e à resposta proliferativa causada por sua ativação, induzida pelas glitazonas.O risco de câncer da bexiga associado ao uso da Pioglitazona está sob revisão pela EMA desde sua autorização comercial, em 2000. A Takeda, detentora da patente, vem desenvolvendo estudos epidemiológicos pós-comercialização nesse sentido, a pedido dos órgãos regulatórios, junto a uma grande prestadora de saúde norte-americana (Kaiser Permanente).

As evidências recentes surgiram de um estudo epidemiológico retrospectivo de 3 anos, conduzido pelo Instituto Estatal de Seguro-Saúde da França - a pedido da  Agência Francesa de Medicamentos - em 155 mil pacientes diabéticos tomando Pioglitazona e 1,3 milhão não a tomando. Revelou-se um risco significativo [1,22 (1,05 – 1,43)] de câncer vesical nos expostos à Pioglitazona, sendo o maior risco [1,75 (1,22 – 2,50)] nos com exposição acumulada maior que 28 gramas da droga. Na seqüência, foi publicada no Diabetes Care (Abril 2011 34:923-9) uma análise interina programada do estudo em andamento na Kaiser Permanente, envolvendo 193.000 pacientes. Revelou-se uma tendência não significativa de aumento do risco [1,2 (0,9 – 1,5)] na coorte total, porém significativa (embora de pequena monta) nos pacientes sob tratamento por 2 anos ou mais. Um estudo epidemiológico na Alemanha mostrou dados semelhantes. O risco relativo de câncer de bexiga destes 3 estudos combinados foi pequeno mas significativo, variando de 1,12 a 1,33. Todos os estudos mostraram aumento particular do risco com doses cumulativas mais altas ou tratamentos mais prolongados.

As novas recomendações para prescrição incluíram o veto ao seu uso em pacientes com antecedente ou diagnóstico de câncer de bexiga, a monitorização da presença de sintomas vesicais ou hematúria durante as consultas de rotina, e a interrupção da droga a qualquer sinal clínico de problemas vesicais, ou quando houver perda da relação segurança-eficácia, a ser avaliada em cada consulta. 

No Brasil, a ANVISA acompanhou estas diretrizes.A Sociedade Brasileira de Diabetes, através da sua diretoria, acata as diretrizes das agências regulatórias e recomenda, até que seja produzido um novo posicionamento oficial, que o rastreamento do câncer de bexiga seja realizado mais pro ativamente nos pacientes em uso de Pioglitazona ou nos que irão iniciá-la, incluindo exame semestral do sedimento urinário e ultrasonografia pélvica anual.

Fonte: SBD